Caracterização e Diagnóstico Prospectivo*
Enquanto Região menos densamente povoada do país (25 habitantes/km2, em 2001), o Alentejo apresenta uma distribuição espacial dos aglomerados distinta e singular, destacando-se os tradicionais montes, mas igualmente as aldeias, vilas e cidades.
Densidade Populacional na Região Alentejo, 2001

Fonte:INE
Uma análise centrada na distribuição populacional no "Espaço Alqueva" permite retirar algumas conclusões. A população concentra-se principalmente nos concelhos de Évora, Beja, Santiago do Cacém e Elvas (possuem, em conjunto, metade da população que reside neste território).
No Alentejo a população estrangeira tem aumentado significativamente nos últimos anos (77%, entre 1999 e 2005). Dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) relativos ao ano de 2005 referem 1.637 estrangeiros em Beja, 1.392 em Évora, e 1.191 em Portalegre, o que perfaz um total de 4.220 estrangeiros com autorização de residência nestes três distritos alentejanos.
No "Espaço Alqueva", são cerca de 188.000 os residentes em idade activa (idade compreendida entre os 15 e os 64 anos), o que corresponde a cerca de 64% da população residente total.
A estrutura das famílias tem sofrido importantes alterações nas últimas décadas, como resultado, entre outros factores, do acréscimo populacional. No contexto nacional, o Alentejo registou um dos menores acréscimos do número de famílias clássicas entre 1991 e 2001.
No Alentejo, por norma não se verifica, como no caso das áreas metropolitanas, o afastamento espacial entre o local de habitação e local de trabalho ou de estudo. As deslocações pendulares (deslocações diárias Casa-Trabalho e Casa-Estudo) são, na sua maioria, intra-concelhias. Contudo, a concentração do emprego nas sedes de freguesia, coadjuvada com o aumento da mobilidade associada às deslocações efectuadas por automóvel, explicam o aumento das deslocações pendulares efectuadas entre concelhos vizinhos e, nalguns casos, entre concelhos mais distantes. Estas deslocações fazem-se sentir essencialmente de concelhos de cariz mais rural para os grandes pólos como Évora, Beja ou Elvas e, mais recentemente, Sines, que atraem fluxos diários de activos (trabalhadores e estudantes).
Segundo o indicador "PIB per capita", o Alentejo continua a ser uma das 25 regiões mais pobres da UE, facto que em parte justificou a materialização do EFMA, muito embora tenha passado da 3ª região mais pobre em 1986, com um "PIB per capita" de 37% da média comunitária, para a 16ª posição em 1996, com um índice de 59,7% daquela média.
Considerando os valores do VAB, verificamos que o contributo do Alentejo para o VAB nacional é bastante diminuto. Em 1995, representava 4,5% do total nacional e, em 2004, o valor ascendeu a 6,7%, acréscimo que resulta da alteração da delimitação estatística da NUTS II Alentejo. Se excluirmos a NUTS III Lezíria do Tejo, o contributo para o VAB nacional é de 4,6%, valor muito similar ao de 1994.
Potencial humano
Em 2001, no "Espaço Alqueva", o peso da população activa na população total (54,9%) é superior ao total do Alentejo (52,7%) mas inferiro ao Continente (57,5%). Porém, os desempregados representam 5,1% da população total, valor mais expressivo que o registado, quer para o Alentejo, quer para o Continente. Entre os inactivos, os mais significativos são, como seria de se esperar, os reformados, possuindo no entanto os estudantes um peso maior do que o registado no Alentejo e no Continente. Os estudantes e os domésticos constituem-se como grupos de inactivos com características que revelam um maior potencial para que possam (re)ingressar no mercado de trabalho. Os primeiros estão a realizar processos de investimento em educação, normalmente temporários e com o objectivo de (re)entrar no mercado de trabalho.
No "Espaço Alqueva", a taxa de actividade da população em idade activa (dos 15 aos 64 anos) aumentou de 65,5% para 70,4%, entre 1991 e 2001, sendo que a taxa de actividade dos homens é largamente superior à das mulheres.
Taxas de Actividade e de Desemprego no Espaço Alqueva, por concelho, 2001

Outras informações
*Nota: Este texto é um extracto contido no "Estudo dos Impactos Previsíveis do Projecto de Fins Múltiplos do Alqueva na configuração dos Recursos Humanos do Alentejo"- relatório final-anexos elaborado pela CEDRU e Quaternaire, Portugal.